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‘A união deles foi até na hora da morte’, diz filha sobre pai e mãe que morreram no mesmo dia por Covid-19

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‘A união deles foi até na hora da morte’, diz filha sobre pai e mãe que morreram no mesmo dia por Covid-19

Alcides é de Marília (SP) e Maria de Lourdes, de Aracaju (SE). Eles se casaram no Oeste Paulista e tiveram quatro filhos, dez netos e seis bisnetos.

O segundo filho do casal, Carlos Alberto Gomes, de 53 anos, contou ao G1 que o pai apresentou sintomas do novo coronavírus primeiramente.

“Ele começou a ter febre e sintomas de gripe. Foi ao Hospital Regional [HR] de Presidente Prudente (SP) e o médico falou que era pneumonia. Deram medicação, foi para casa, mas a febre não passou. Quando ele voltou para o HR, já foi direto para a UTI [Unidade de Terapia Intensiva] e foi entubado”, disse.

Conforme o HR, o idoso foi internado na unidade no dia 30 de maio. Já a esposa deu entrada no hospital no dia 3 de junho.

“Primeiro ela procurou o Pronto-socorro de Pirapozinho, mas foi encaminhada para o HR. Também chegou e já foi entubada. Eles chegaram a fazer o teste rápido, mas deu negativo. No HR, eles fizeram o outro [swab] e o resultado veio positivo para o coronavírus”, explicou Gomes.

A filha mais nova do casal, Regina Aparecida Gomes, de 45 anos, relatou ao G1 que os pais saíam apenas quando necessário para ir a banco, mercado ou farmácia, e a mãe tinha medo de ser contaminada pela Covid-19.

“Eles não estavam saindo muito e sempre tomando cuidado, usando máscara, álcool em gel e água sanitária para limpeza. Minha mãe tinha muito medo de pegar a doença”, falou.

O casal morava sozinho em uma residência e a filha, que também vive em Pirapozinho, sempre visitava os dois. Ela e o irmão afirmam que os pais eram muito unidos e faziam tudo juntos.

“Faziam orações juntos, tomavam café juntos e, quando precisavam sair, também eram juntos. Sempre os dois”, relatou a filha.

“Eles nunca faziam nada separados. Nunca ficaram longe um do outro. Essa união foi passada para toda a família”, disse o filho.

A partida

No último sábado (27), a família foi avisada pelo hospital de que Maria de Lourdes havia morrido. No mesmo dia, no final da noite, veio a notícia de que Alcides havia morrido também.

“A união deles foi até na hora da morte”, contou Regina.

Ela afirmou que o pai não ficou sabendo que a esposa tinha falecido, já que ele estava entubado e inconsciente.

“Mas acho que ele sentiu, porque o médico falou que ele se mexeu quando ela morreu. Era uma ligação muito forte entre eles”, destacou ao G1.

Regina também contou que a família torcia pela melhora dos dois e pela alta hospitalar.

“Ficamos surpresos com a partida deles no mesmo dia, mesmo com a união dos dois. Claro que a gente esperava que fossem receber alta. Apesar de que, se tivesse ido apenas um, o outro iria sofrer muito. Também não ficaria muito tempo sozinho”, enfatizou.

Os filhos ainda comentaram sobre o momento difícil da perda e os protocolos de saúde que não permitem velório.

“Não tem velório. Colocam o corpo dentro de um saco e depois no caixão”, disse Regina.

“Não pudemos fazer um velório digno para nos despedir. Não deu nem para colocar uma roupa de que eles gostavam. É muito triste”, salientou Gomes.

Dor e saudade

Com a perda ainda recente, a família tenta superar o momento e faz um alerta.

“Muita gente não está levando a sério essa doença. Só quem passa por isso, perde alguém, sabe como é esse sofrimento”, enfatizou Gomes.

O terceiro filho do casal, Paulo Gomes, mora em Jacareí (SP) e foi o único que não esteve no município de Pirapozinho para acompanhar o enterro dos pais.

“Eram exemplos para todos nós. Nossos pilares. Os dois deixaram um grande legado, a união da família e boas lembranças”, pontuou Gomes.

“Eles eram batalhadores e muito religiosos. Trouxeram tudo de bom para nós. O que nos resta é dor e saudade”, finalizou a filha.

Por G1

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