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Promessa de cura para Covid-19, Ivermectina zera estoque em Fernandópolis

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Cidadão.net

Na corrida pela cura ou até mesmo imunidade contra a Covid-19, qualquer notícia, por menor que seja, positiva ou negativa, tem mobilizado a população em torno desse inimigo invisível, que apesar de recente, já dizimou milhares de vidas em todo o mundo. Notícias ruins à parte, recentemente, a grande mídia noticiou o progresso da Ivermectina no combate as infecções provocadas pelo vírus Sars-CoV-2, responsável pela Covid-19 e, desde então, sumiram os estoques do antiparasitário nas farmácias da região noroeste paulista.

Em Fernandópolis, os estoques do medicamento estão zerados e a previsão é de que chegue algumas poucas unidades a partir da quarta-feira, 8, em apenas duas dentre todas as farmácias consultadas pelo CIDADÃOnet. Para a maioria dos farmacêuticos consultados, a não necessidade de receita e o baixo custo da medicação somados a promessa de combater o Sars-CoV-2 foram suficientes para em poucos dias, gerar uma grande demanda. Eles ressaltam, porém, que apesar de não ter a necessidade da receita médica, a automedicação deve ser evitada ainda que nessas circunstâncias, embora destaquem a quase inexistência de efeito adverso agressivo do medicamento nos pacientes após ingeri-los.

Quanto a medicação, a recomendação é de um comprimido para cada 30 quilos e deve ser ingerido em dose única com um reforço na mesma quantidade após 15 dias. O preço para a caixa com dois comprimidos varia entre R$ 14 e R$ 16 e de R$ 16 a R$ 33 a caixa com quatro unidades.

Em Fernandópolis, um supermercado e duas farmácias disponibilizaram o medicamento para todos os funcionários. Para a farmacêutica de uma dessas farmácias, “se não combater o Sars-CoV-2, pelo menos os funcionários não reclamarão de vermes ou piolhos tão cedo”, brincou. O médico infectologista e prefeito do município de Porto Feliz, Cássio Prado, disponibilizou 1.500 quites do medicamento para a população que estavam com os primeiros sintomas da doença. Atitude que rendeu até reportagem à TV Cultura e disseminou além da esperança de cura, a corrida às farmácias pela Ivermectina.

Prescrição de ivermectina no tratamento da Covid-19

Prescrição de ivermectina no tratamento da Covid-19

O CRF-SP – Conselho Regional de Farmácia de São Paulo – diz que existe estudo científico que destaca que a concentração antiviral da ivermectina in vitro é inalcançável in vivo e que é preciso levar em consideração que o medicamento pode causar reações adversas que devem ser monitoradas, como por exemplo, problemas oculares (irritação ocular ou palpebral, dor, vermelhidão ou inchaço), também pode causar febre, coceira ou erupção cutânea, dor nas articulações ou nos músculos, glândulas dolorosas e sensíveis no pescoço, axilas ou virilhas.

Um estudo realizado por Caly e colaboradores (2020) em células in vitro a ivermectina demonstrou atividade antiviral contra o Sars-CoV-2. Porém, estudos in vitro não são suficientes para que um medicamento seja considerado eficaz e seguro, por isso estudos bem conduzidos em humanos são necessários para determinar se a ivermectina poderá ser útil na prevenção ou no tratamento da Covid-19 e em quais doses.

“A prescrição de medicamentos para indicações não aprovadas pela Anvisa não é proibida, mas deve levar em conta as evidências científicas disponíveis e os potenciais riscos e benefícios aos pacientes”, destaca Caly 2020.

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