Um erro na entrega de mercadorias durante o fim de semana de Carnaval terminou em registro policial e pode gerar prejuízo financeiro tanto para o entregador quanto para a cliente, em Araçatuba (SP). O caso ocorreu no último sábado (14), na Rua Tibiriçá, bairro Casa Nova, e foi formalizado na delegacia na segunda-feira (16).
De acordo com o boletim de ocorrência, o entregador esteve no endereço indicado para deixar três caixas de produtos cosméticos, avaliadas em mais de R$ 1 mil. No entanto, por desatenção, chamou na residência vizinha à da destinatária.
Segundo relato feito à polícia, a mulher que atendeu afirmou que a verdadeira compradora teria se mudado recentemente, mas que teria deixado autorização para que ela recebesse as mercadorias e posteriormente as repassasse. Confiando na informação e sem exigir documentação ou confirmação formal, o entregador deixou as caixas no local, sem conferir detalhadamente o conteúdo naquele momento.
Cliente nega recebimento
Na segunda-feira, o entregador foi informado pela empresa de logística de que a cliente havia entrado em contato alegando não ter recebido os produtos, apesar de o sistema apontar a entrega como concluída.
A cliente, que trabalha com revenda de cosméticos, relatou à polícia que adquiriu cerca de R$ 1.350 em mercadorias de diferentes fornecedores e solicitou que as entregas fossem feitas na casa da mãe. Ela afirmou que recebeu a notificação de entrega no sábado, mas, ao procurar os produtos, foi informada de que nenhuma encomenda havia sido recebida.
Ao contatar uma das empresas fornecedoras, a cliente foi informada de que as caixas teriam sido entregues a uma mulher identificada como “Jéssica”. A vítima declarou que não há ninguém com esse nome na residência, levantando a suspeita de possível apropriação indevida.
Tentativas frustradas de reaver as caixas
Após perceber o possível erro, o entregador retornou ao imóvel onde havia deixado as mercadorias. Ele afirmou ter chamado pela moradora diversas vezes, sem obter resposta. Vizinhos relataram que havia pessoas na casa naquele momento. O trabalhador também disse ter ouvido latidos de cães e choro de criança, indicando que o imóvel estava ocupado.
A Polícia Militar foi acionada nas duas ocasiões. Como não houve flagrante nem autorização para entrada no imóvel, os policiais orientaram as partes a registrarem boletim de ocorrência para investigação formal.
Posteriormente, a própria cliente foi até o endereço acompanhada do entregador. Ela relatou ter visto a vizinha entrar na casa após o portão ser aberto por um filho. Mesmo assim, ninguém atendeu às novas tentativas de contato.
Investigação e possível prejuízo
A Polícia Civil deverá apurar se houve má-fé por parte da moradora que recebeu as caixas ou se ocorreu algum outro desdobramento ainda não esclarecido.
Enquanto o caso é investigado, o entregador informou que foi orientado pela empresa para a qual presta serviço de que poderá ter de arcar com o prejuízo caso a situação não seja resolvida. A cliente também teme perdas financeiras, já que depende da revenda dos produtos para complementar a renda.
O episódio serve de alerta para consumidores, empresas e profissionais de entrega sobre a importância de confirmar corretamente a identidade do destinatário, exigir documentação quando necessário e evitar deixar encomendas com terceiros sem autorização formal, especialmente quando se trata de mercadorias de alto valor.

