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01 05 2026

Quase 30 anos depois, Mamonas Assassinas serão homenageados com memorial ecológico que transformará cinzas em árvores

Quase três décadas após a tragédia que interrompeu de forma brutal uma das trajetórias mais meteóricas da música brasileira, os Mamonas Assassinas voltarão a emocionar o país — desta vez, de uma maneira silenciosa, simbólica e profundamente conectada à vida.

Nesta segunda-feira (23), os corpos de Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli passarão por exumação, em decisão conjunta das famílias. O procedimento marca um novo capítulo na história da banda que, mesmo após 30 anos do acidente aéreo de 1996, continua viva na memória coletiva e nas playlists de diferentes gerações.

Após a exumação, os restos mortais serão cremados. As cinzas darão origem a um gesto de renovação: serão misturadas a sementes de plantas nativas para o plantio de árvores. A iniciativa integra o projeto Jardim BioParque Memorial Mamonas, que será implantado no Cemitério Primaveras, onde os músicos estão sepultados desde o trágico acidente.

A proposta é transformar o local em um espaço que vá além da saudade. Um ambiente de memória, homenagem e preservação ambiental — onde a irreverência que marcou a banda dará lugar ao silêncio das árvores, mas continuará ecoando na história da música brasileira.

Da explosão do riso ao silêncio da perda

Em 1995, cinco jovens de Guarulhos conquistaram o país com letras irreverentes, humor escrachado e uma energia contagiante. Em menos de um ano, os Mamonas Assassinas quebraram recordes, lotaram shows, venderam milhões de discos e se tornaram um fenômeno cultural. Crianças, adolescentes e adultos sabiam as músicas de cor — e ainda sabem.

O acidente aéreo, em março de 1996, interrompeu abruptamente uma carreira que parecia não ter limites. O Brasil chorou como se perdesse amigos íntimos. O luto foi coletivo, televisionado, cantado em coro. As risadas deram lugar às lágrimas, mas as canções nunca deixaram de tocar.

Hoje, quase 30 anos depois, a decisão das famílias ressignifica a despedida. Em vez de apenas lápides, raízes. Em vez de mármore, folhas ao vento.

Um memorial que une memória e natureza

O Jardim BioParque Memorial Mamonas não será apenas uma homenagem à banda. O espaço também terá caráter comunitário. Moradores poderão plantar árvores utilizando as cinzas de seus próprios entes queridos, criando um ambiente de lembrança, acolhimento e conexão com a natureza.

A ideia é que cada árvore represente uma história, uma vida, um amor que continua. No caso dos Mamonas, árvores que simbolizem alegria, irreverência e a capacidade rara de fazer um país inteiro sorrir.

Se no palco eles espalharam energia e gargalhadas, agora suas memórias ganharão novas formas — troncos que crescem, raízes que se aprofundam, copas que oferecem sombra e abrigo.

Talvez seja essa a imagem mais bonita para um grupo que marcou gerações: transformar saudade em floresta. E permitir que, mesmo em silêncio, continuem presentes — vivos nas canções, eternos na memória e, em breve, florescendo na terra.

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