Um medicamento experimental para emagrecimento, conhecido como retatrutida, está sendo comercializado ilegalmente no Brasil mesmo sem possuir aprovação de qualquer agência reguladora no mundo. O crescimento da procura pelo produto tem preocupado médicos, farmacêuticos e autoridades de saúde.
Segundo especialistas, a retatrutida ainda está em fase 3 de estudos clínicos conduzidos pelo laboratório Eli Lilly, responsável também pela tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro. Isso significa que a substância ainda não concluiu todas as etapas necessárias para comprovar sua eficácia e segurança antes de ser liberada para venda.
Apesar disso, anúncios do produto já circulam em redes sociais, aplicativos de mensagens e até em sites especializados. Em alguns casos, a substância é vendida como “reta”, “peptídeo” ou apresentada em canetas semelhantes às utilizadas por medicamentos já aprovados para tratamento da obesidade.
Especialistas alertam que a comercialização é ilegal e representa sérios riscos à saúde.
A endocrinologista Mariana Araújo Strauch explica que a substância ainda não teve seus efeitos colaterais de longo prazo completamente avaliados e que qualquer uso fora de estudos clínicos representa uma exposição a riscos desconhecidos.
Além da ausência de aprovação regulatória, há preocupação com a procedência dos produtos vendidos clandestinamente. Segundo farmacêuticos, não existe garantia de que o conteúdo comercializado realmente contenha a substância anunciada.
Há ainda riscos de contaminação por bactérias e fungos, dosagens incorretas e até a presença de substâncias diferentes das informadas ao consumidor.
Os preços encontrados no mercado ilegal variam entre R$ 1.800 e R$ 2.500 por unidade, enquanto relatos indicam que produtos semelhantes também estariam sendo comercializados em países vizinhos.
Especialistas reforçam que o tratamento da obesidade deve ser realizado com acompanhamento médico e baseado em medicamentos aprovados pelos órgãos reguladores competentes.
A orientação é que pacientes não adquiram medicamentos sem registro sanitário ou procedência comprovada, evitando riscos graves à saúde.
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