Tatiana Coelho de Sampaio diz enfrentar o sofrimento de negar o tratamento a famílias de pacientes com lesões medulares graves
A cientista Tatiana Coelho de Sampaio se emocionou ao relatar o impacto das novas restrições impostas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ao uso compassivo da polilaminina, substância estudada como possível alternativa para pessoas com lesões medulares graves.
Segundo a pesquisadora, as mudanças nas regras reduziram de 90 dias para apenas três dias após o trauma o período para aplicação da substância, além de restringirem os tipos de lesões que podem ser contemplados.
A alteração provocou preocupação entre pacientes e familiares que aguardavam a possibilidade de acesso ao tratamento. De acordo com o relato, cerca de 500 pacientes estão em uma fila, muitos deles na expectativa de uma alternativa diante da ausência de outras opções terapêuticas.
Emocionada, Tatiana afirmou que uma das situações mais difíceis tem sido comunicar às famílias que, diante das novas regras, não será possível oferecer o tratamento em determinados casos.
Especialistas questionam novas exigências
Especialistas envolvidos na discussão afirmam que os critérios adotados pela Anvisa podem estar aproximando o uso compassivo das exigências de um estudo clínico, enquanto os pacientes que buscam a substância enfrentam situações consideradas urgentes e, muitas vezes, sem alternativas disponíveis.
A polilaminina é uma substância desenvolvida a partir de pesquisas científicas e vem sendo estudada por seu potencial de auxiliar na recuperação de lesões do sistema nervoso.
A discussão sobre o acesso ao tratamento ganhou força justamente entre famílias que enxergam na pesquisa uma possibilidade de recuperação após acidentes e traumas que provocaram lesões na medula.
O caso reacende o debate sobre pesquisa científica, regulamentação sanitária e o acesso de pacientes a tratamentos experimentais, especialmente em situações nas quais as opções convencionais são limitadas.
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