Veículos que aguardam para descarregar em atacadista bloqueiam garagens, dificultam a passagem de ambulâncias e motoristas são acusados de usar muros como banheiro
FERNANDÓPOLIS – Moradores do final da Rua Ceará, no bairro Brasilândia, em Fernandópolis, denunciam uma situação que, segundo eles, se tornou rotina após a instalação de um atacadista na região.
Caminhões e carretas que aguardam para realizar o descarregamento de mercadorias estariam permanecendo estacionados ao longo das vias e, em alguns casos, bloqueando entradas de residências e dificultando a circulação de veículos.
Segundo moradores ouvidos pela reportagem, há situações em que as carretas ficam posicionadas de maneira a impedir a entrada e saída de veículos das garagens.
“A gente não consegue sair com o carro, não consegue entrar. Eles atravessam a carreta na frente do portão e não estão nem aí. Já pedimos, já brigamos, mas não respeitam”, relatou um morador.
Moradores temem dificuldade para atendimento de emergência
Além dos transtornos relacionados ao trânsito, os moradores afirmam estar preocupados com uma possível emergência médica.
De acordo com os relatos, quando os caminhões ocupam a via, o acesso de veículos de emergência pode ficar comprometido.
“Se um idoso infartar aqui dentro, ele vai morrer sem socorro. A rua fica totalmente trancada. É um risco de vida real. A ambulância não passa, o SAMU não passa”, afirmou uma moradora.
Reclamações também envolvem higiene
Outro problema apontado pelos residentes é relacionado à permanência dos motoristas na região durante o período de espera.
Moradores afirmam que alguns motoristas fazem necessidades fisiológicas em muros de residências e árvores próximas.
“O cheiro de urina aqui é insuportável. Eles usam nosso muro como banheiro. Temos crianças, idosos. É uma humilhação morar assim, com o quintal fedendo”, reclamou um residente.
Placa de proibido estacionar teria sido arrancada
Diante dos problemas, os moradores procuraram o poder público e também acionaram a Polícia Militar.
Segundo os relatos, já houve autuações de motoristas, mas a situação continua.
A reportagem também procurou a Prefeitura de Fernandópolis. Conforme informado por um servidor do setor responsável, o município instalou uma placa de “Proibido Estacionar” no trecho considerado crítico.
Entretanto, segundo os moradores, a sinalização teria sido arrancada em diversas ocasiões por motoristas. Em algumas situações, os próprios residentes recolocaram a placa para tentar manter a sinalização no local.
Ainda de acordo com a orientação recebida pela reportagem, quando houver bloqueio da via, os moradores devem acionar a Polícia Militar pelo 190.
Moradores dizem que problema persiste
Os residentes, porém, afirmam que a medida não tem sido suficiente para resolver o problema.
Segundo um dos moradores, quando a Polícia Militar é acionada, algumas vezes a viatura demora a chegar ao local e, quando os policiais chegam, os caminhões já teriam deixado a rua após realizar o descarregamento.
Moradores estudam medida judicial
Diante da falta de uma solução definitiva, moradores afirmam que estudam ingressar com uma ação coletiva na Justiça.
A intenção, segundo eles, é buscar providências envolvendo empresas responsáveis pelos caminhões, motoristas e o próprio estabelecimento atacadista, para que seja encontrada uma alternativa para o estacionamento e a espera dos veículos pesados.
Os moradores defendem que os caminhões tenham um espaço adequado para aguardar o momento do descarregamento, evitando que a operação prejudique o acesso às residências e a circulação na região.
O NoticiasNoroeste mantém espaço aberto para manifestação do atacadista citado e das empresas de transporte mencionadas na reportagem.
Moradores da Brasilândia que enfrentam problemas semelhantes podem enviar fotos e vídeos para a redação do NoticiasNoroeste.
Fernandópolis
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