Baiana radicada na cidade desde a década de 1960 reuniu familiares e amigos em uma celebração marcada pela música, memória e história de vida
Uma trajetória de 100 anos de vida, trabalho, família e tradição foi celebrada com muita emoção em Fernandópolis. No dia 5 de setembro, Dona Emília Alves de Oliveira Teodoro reuniu filhos, netos, bisnetos, tataraneta e amigos para uma festa especial com o tema “Realeza Africana”.
Nascida em 29 de agosto de 1926, em Rio de Contas, na Bahia, Emília é filha de Salviana e Delfino. Caçula e única mulher entre seis irmãos, viveu parte da infância no interior paulista após a morte do pai, quando a família se mudou para José Bonifácio.
Desde cedo, aprendeu atividades que fizeram parte de sua trajetória, como costura, lavagem de roupas e produção de rendas. Aos 25 anos, casou-se com Domingos Teodoro, com quem compartilhou mais de seis décadas de vida, até a morte dele, em 2012.
Uma história construída em Fernandópolis
Na década de 1960, Dona Emília e o marido escolheram Fernandópolis para construir sua história. Na cidade, criaram os seis filhos: Ivanir (in memoriam), Sueli, Adalberto, Eleni, Dalveli e Ediberto.
Hoje, a família formada pelo casal reúne 19 netos, 37 bisnetos e uma tataraneta, representando uma trajetória que atravessou gerações.
Uma rainha cercada pela família
Para marcar o centenário, a comemoração ganhou elementos inspirados na realeza africana. Os convidados participaram da festa usando trajes inspirados na temática, enquanto Dona Emília foi homenageada em um trono preparado especialmente para ela.
A aniversariante também recebeu uma coroa confeccionada artesanalmente pela nora, Alice, que é artesã.
Mas foi a música que deu um significado ainda mais especial à celebração.
O samba que faz Dona Emília dançar
O samba, ritmo preferido de Dona Emília, esteve presente durante toda a festa. Mesmo enfrentando lapsos de memória associados ao avanço da idade, segundo a família, a música tem um efeito especial sobre ela.
Quando o samba começa, Dona Emília se levanta, dança, roda a saia e volta a demonstrar a alegria que marcou diferentes momentos de sua vida.
O ponto alto da festa foi a apresentação de um samba autoral composto e cantado pela própria família em homenagem à matriarca.
A música resgatou momentos de sua trajetória, o trabalho, a criação dos filhos e os valores transmitidos ao longo das décadas.
Memória, cultura e ancestralidade
A celebração dos 100 anos de Dona Emília também se transformou em um momento de preservação da memória familiar e de valorização da cultura e da ancestralidade negra.
As histórias transmitidas por ela e por seus pais foram lembradas durante a comemoração, conectando diferentes gerações da família.
Mais do que celebrar um século de vida, a festa reuniu gerações em torno da história de uma mulher que construiu sua trajetória com trabalho, família, arte e tradição, deixando suas memórias como parte do legado que continuará sendo contado pelos descendentes.









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