Entidade protocolou representação no Ministério Público pedindo apuração urgente sobre atendimentos do projeto “Mais Saúde”; até o momento, não há decisão judicial nem manifestação oficial do MP sobre o caso.
A Associação de Oftalmologia de Campinas e Interior (AOC) protocolou um ofício junto ao Ministério Público do Estado de São Paulo, direcionado à Promotoria de Justiça da Comarca de Ouroeste, solicitando, em caráter de urgência, a apuração de supostas irregularidades em atendimentos oftalmológicos realizados no município.
O documento, datado de 23 de julho de 2026, informa que a entidade recebeu denúncias, por meio de seu canal oficial, relacionadas ao projeto “Mais Saúde”, desenvolvido pelo Instituto Mais Saúde Ltda.
Segundo a associação, estariam sendo realizadas consultas oftalmológicas e comercialização de lentes em locais que, conforme a denúncia, não atenderiam às exigências legais para esse tipo de atendimento.
AOC aponta possíveis riscos à saúde
No ofício encaminhado ao Ministério Público, a entidade sustenta que atendimentos oftalmológicos devem ocorrer em estabelecimentos devidamente regularizados, com diretor técnico médico, licenciamento sanitário e cumprimento das normas previstas na legislação.
A associação afirma que a realização desse tipo de atendimento em locais considerados inadequados pode representar riscos à saúde ocular da população.
Associação cita legislação e decisões judiciais
A AOC também argumenta que consultas, diagnósticos e prescrição de lentes corretivas são atividades privativas do médico oftalmologista.
Para fundamentar a denúncia, a entidade cita dispositivos da Lei do Ato Médico, dos Decretos nº 20.931/1932 e nº 24.492/1934, além de resoluções do Conselho Federal de Medicina (CFM) e entendimentos do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Suspeita de venda casada
Outro ponto levantado pela associação diz respeito à suposta existência de parceria entre os atendimentos e uma ótica, que ofereceria descontos para aquisição das lentes indicadas durante os exames.
Segundo a AOC, caso a prática seja confirmada, poderá haver infração às normas que vedam a vinculação entre a prescrição médica e a comercialização de produtos ópticos.
Pedido ao Ministério Público
No documento, a associação solicita que o Ministério Público adote medidas administrativas para verificar a regularidade dos atendimentos e, caso sejam constatadas irregularidades, determine a interrupção das atividades até que todas as exigências legais sejam cumpridas.
A entidade afirma ainda que atua continuamente no recebimento de denúncias envolvendo atendimentos oftalmológicos considerados irregulares e informa já ter ajuizado ações civis públicas em outras cidades com o objetivo de impedir práticas semelhantes.
Caso ainda será analisado
Até o momento, o ofício representa uma denúncia formal apresentada pela Associação de Oftalmologia de Campinas e Interior ao Ministério Público.
Não há, até o momento, decisão judicial, conclusão da investigação ou manifestação oficial do Ministério Público sobre o mérito das alegações apresentadas. Caberá ao órgão analisar a representação, decidir sobre eventual instauração de procedimento investigatório e adotar as medidas que entender cabíveis.
Ouroeste
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