terça-feira, janeiro 27, 2026
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DAR CELULAR SEM DIÁLOGO É COMO ENTREGAR UMA FACA AFIADA SEM EXPLICAR O CORTE”, ALERTA DELEGADO HIGOR VINICIUS NOGUEIRA JORGE

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A internet se tornou parte inseparável da rotina de crianças e adolescentes, mas junto com os benefícios da conectividade surgem riscos cada vez mais graves. O delegado de polícia Higor Vinicius Nogueira Jorge, especialista em investigação criminal tecnológica, alerta que os maiores perigos já não estão apenas nas ruas: “eles se escondem dentro de casa, na palma da mão, atrás de uma tela”. Segundo ele, as redes sociais abriram o mundo para os jovens, mas também expuseram a infância a predadores, criminosos e abusadores que se aproveitam da vulnerabilidade digital.
Nesta entrevista, o delegado fala sobre os mecanismos de aliciamento online, os impactos emocionais da busca incessante por curtidas, os riscos de desafios perigosos que circulam nas plataformas e, sobretudo, sobre a responsabilidade compartilhada entre família, escola, Estado e sociedade. Ele resume a urgência do tema: “dar celular sem diálogo é como entregar uma faca afiada sem explicar o corte”.
1- Delegado Higor Vinicius, hoje muitos pais se preocupam com a segurança dos filhos nas ruas. Mas e no ambiente digital?
Delegado Higor Jorge: Hoje, os maiores riscos para crianças e adolescentes não estão apenas nas ruas. Eles estão dentro de casa, na palma da mão, escondidos atrás de uma tela. O perigo não bate mais à porta. Ele manda mensagem, envia convite, curte foto.

2- Quais são os principais riscos que as redes sociais trazem para os jovens?
Delegado Higor Jorge: As redes sociais abriram o mundo para as crianças, mas também abriram as crianças para o mundo. E esse mundo não é só feito de amigos e diversão. Há predadores, criminosos, pessoas que se aproveitam do fato de que a infância virou vitrine digital. A criança posta uma foto, compartilha uma dança, grava um vídeo inocente no Tiktok ou Instagram. Para ela, é brincadeira. Para o abusador, é oportunidade.

3- O senhor fala muito do chamado “grooming”. O que exatamente é isso?
Delegado Higor Jorge: O grooming é o aliciamento online. E ele não começa com violência. Ele começa com elogios, curtidas, presentes virtuais. O criminoso se aproxima como amigo, conquista a confiança, e só depois ataca. É uma armadilha silenciosa, que se fecha pouco a pouco.

4- Mas os riscos vão além do abuso sexual, correto?
Delegado Higor Jorge: Sem dúvida. Crianças e adolescentes vivem hoje sob a pressão dos likes. Crescem acreditando que só valem pelo que mostram, medindo autoestima em corações digitais. O resultado disso é frustração, ansiedade, depressão. E ainda temos os chamados desafios perigosos: brincadeiras que se transformam em verdadeiras roletas russas digitais, levando jovens ao hospital e até à morte.

5- Qual deve ser o papel da família nesse cenário?
Delegado Higor Jorge: Por isso eu digo sempre: dar celular sem diálogo é como entregar uma faca afiada sem explicar o corte. O filtro do aplicativo não substitui a conversa dentro de casa. Pais precisam estar presentes nas redes dos filhos não como fiscais, mas como referências de amor, cuidados e orientações. A proteção não é vigiar em silêncio, é conversar em voz alta.

6- E a escola, o que pode fazer?
Delegado Higor Jorge: A escola tem papel fundamental. Precisa ensinar que respeito também existe no mundo digital, que o bullying online machuca tanto quanto o da vida real. Educação digital não é luxo, é necessidade. Ela é tão importante quanto matemática ou português.

7- E quanto ao Estado e à Polícia Civil?
Delegado Higor Jorge: A Polícia Civil tem uma função fundamental de investigar crimes, além de outras muito relevantes. Nós investigamos com rigor, identificamos criminosos, efetuamos prisões e desarticulamos redes inteiras que exploram a vulnerabilidade das crianças e adolescentes no ambiente digital. Mas não basta apenas reprimir. É igualmente importante dialogar com as comunidades, levar informação às escolas e às famílias, alertar sobre os riscos e fortalecer os canais de denúncia e isso tem sido feito pela Polícia Civil.
O Estado, por sua vez, precisa fazer a sua parte: fiscalizar as plataformas digitais, cobrar responsabilidade das empresas de tecnologia e implementar políticas públicas eficazes que assegurem a proteção integral da infância. Só com a união desses esforços — polícia, Estado, família e sociedade — é que poderemos enfrentar de forma real os perigos que ameaçam nossos jovens no mundo virtual.

8- Para encerrar, qual mensagem o senhor deixaria às famílias?
Delegado Higor Jorge: A regra é simples: o silêncio protege o abusador, enquanto a palavra protege a criança. Criança não precisa de curtidas. Criança precisa de cuidado. A infância não é ensaio para a vida adulta — é um direito sagrado. E cabe a todos nós garantir que esse direito seja respeitado também no mundo digital.
Proteger a infância é proteger o futuro. E não existe missão mais urgente do que essa.

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