Grupo procurou a Polícia Civil após divulgação de nomes de empresas e prestadores de serviços nas redes sociais; caso levanta debate sobre perseguição política e prejuízos ao comércio.
Empresários, comerciantes e profissionais liberais de Araçatuba e cidades da região procuraram a Polícia Civil na noite de quarta-feira (28) para registrar um boletim de ocorrência contra a circulação de uma suposta lista de boicote nas redes sociais.
A publicação foi divulgada em um perfil do Instagram após o resultado do segundo turno das eleições. O conteúdo apresenta nomes de empresas e prestadores de serviços que teriam manifestado apoio político ao presidente reeleito, além de incentivar os usuários a deixar de frequentar ou contratar os estabelecimentos mencionados.
Profissionais alegam prejuízos e exposição pública
Ao menos seis profissionais compareceram à Central de Polícia Judiciária para formalizar a reclamação por suposta difamação.
Segundo os relatos, a utilização não autorizada de nomes e marcas comerciais poderia provocar prejuízos financeiros, constrangimento público e danos à reputação dos envolvidos.
Entre as pessoas afetadas está a empresária do setor de beleza Camila Calaigian Farina, que manifestou preocupação com a possibilidade de perder clientes por causa de suas convicções políticas.
A psicóloga Heloísa Juncal também se posicionou sobre o caso e defendeu a separação entre a atuação profissional, especialmente no atendimento em saúde, e as preferências partidárias individuais.
Ministério Público do Trabalho esclarece questão trabalhista
O episódio reacendeu a discussão sobre os limites das manifestações políticas, a liberdade de expressão e os possíveis impactos de campanhas de boicote sobre profissionais e estabelecimentos comerciais.
Procurado para avaliar a situação, o Ministério Público do Trabalho informou que o boicote promovido por consumidores a estabelecimentos comerciais não configura, por si só, assédio eleitoral trabalhista, uma vez que não envolve diretamente uma relação entre empregador e empregado.
A avaliação trabalhista, portanto, não elimina a possibilidade de análise de outras questões jurídicas, caso existam elementos que indiquem eventuais irregularidades.
Polícia deve investigar a origem da lista
A apuração policial deverá buscar informações que ajudem a identificar os responsáveis pela criação e pela divulgação do material na internet.
Até que os fatos sejam esclarecidos, não é possível atribuir responsabilidade criminal aos envolvidos na publicação sem a devida investigação.
O caso amplia o debate sobre como divergências políticas podem afetar relações comerciais e profissionais, especialmente quando nomes e marcas são expostos publicamente em campanhas que incentivam consumidores a evitar determinados estabelecimentos.





Araçatuba
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