Um acordo silencioso, costurado longe dos corredores dos supermercados, promete mudar a rotina de milhares de famílias capixabas. A partir de 1º de março de 2026, supermercados e estabelecimentos de gêneros alimentícios não poderão abrir aos domingos em todo o estado.
A decisão consta na Convenção Coletiva de Trabalho 2025-2027, firmada entre a Fecomércio-ES e o Sindicomerciários-ES, e já provoca reação no setor e entre consumidores. Até então, o domingo era dia certo de compra. Isso acabou — ao menos por enquanto.
Segundo o acordo, supermercados, atacarejos, minimercados e lojas com funcionários contratados deverão manter as portas fechadas aos domingos entre 1º de março e 31 de outubro de 2026. A cláusula tem caráter experimental e será reavaliada ao final do período.
Nos bastidores, o argumento é antigo: domingo é dia de descanso. O pacto busca ampliar a folga semanal dos trabalhadores e cortar custos extras com horas adicionais. A inspiração vem de modelos adotados em países onde o comércio fecha no domingo e a vida desacelera — como sempre foi.
Para a população do Espírito Santo, o impacto é direto. Compras terão que ser antecipadas para sexta, sábado ou dias úteis. A tradicional ida ao mercado no domingo sai de cena. Em contrapartida, pequenos mercados de bairro, delivery e lojas menores podem ganhar espaço nesse intervalo.
Especialistas tratam a medida como um laboratório: se o consumo cai, se a qualidade de vida melhora e se o comércio aguenta. Nada está garantido. O acordo pode ser revisto, mantido ou descartado.
O fato é simples e seco: domingo fechado. Quem não se organizar, fica sem.

