De acordo com a Polícia Militar, a operação cumpriu mandados de busca nesta quarta-feira (11). As investigadas vendiam “Tirzepatida” sem registro da Anvisa pelas redes sociais. No momento da abordagem, uma delas tentou dar descarga nas ampolas para evitar o flagrante.
O comércio ilegal de emagrecedores, prometendo milagres estéticos sem receita médica, levou duas mulheres à prisão na manhã desta quarta-feira (11), em Severínia. Uma operação conjunta entre a Polícia Militar, Polícia Civil e Guarda Civil Municipal cumpriu mandados de busca domiciliar na Avenida Capitão Alípio de Almeida, desmantelando um esquema de venda de substâncias proibidas que colocava a saúde pública em risco.
A ação foi desencadeada após uma investigação minuciosa baseada em denúncias e monitoramento digital. Prints de redes sociais e status de WhatsApp mostravam as suspeitas, identificadas como R.S. e G. S., ofertando o medicamento Tirzepatida (princípio ativo de drogas como o Mounjaro) por valores abaixo do mercado e sem qualquer exigência de prescrição médica. A investigação apontou ainda que uma das pessoas aparecia em fotos no exterior, em locais típicos de venda desses produtos, sugerindo um esquema de importação irregular para revenda no Brasil.
Com a ordem judicial expedida pela Juíza Dra. Júlia Inêz Costa Galceran em mãos, a equipe comandada pelo 1° Sgt PM Vinícius e Sd PM Otávio foi até o primeiro endereço. O portão estava aberto, mas a porta da sala, trancada. Ao anunciarem a presença policial, o morador R. recusou-se a abrir de imediato, alegando que precisava se trocar. No entanto, o som inconfundível de uma descarga sendo acionada no banheiro alertou os policiais. Diante do risco iminente de destruição de provas, a equipe precisou arrombar a porta para garantir o cumprimento da lei.
Dentro do imóvel, a tentativa de ocultação falhou. Os policiais encontraram ampolas do medicamento armazenadas na geladeira. Foram apreendidas cinco ampolas lacradas da marca Lipoland e Tirzec, além de 93 seringas com agulhas prontas para uso. R. optou pelo silêncio constitucional diante das perguntas sobre a procedência do material.
A operação seguiu para a segunda residência, na mesma avenida, onde morava a investigada G. Lá, o cenário se repetiu: os agentes encontraram mais ampolas cheias e vazias (marcas Lipoland e TG), dezenas de seringas e uma quantia significativa de dinheiro em espécie: R$ 1.896,09, provável lucro da atividade ilícita.
O caso foi apresentado ao Delegado Dr. Marcelo Pupo de Paula. A gravidade da situação surpreendeu as envolvidas: o crime de falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais (Art. 273 do Código Penal) é considerado hediondo. Por conta disso, e da pena prevista de 10 a 15 anos de reclusão, não foi arbitrada fiança. Ambas as mulheres, que não possuíam antecedentes criminais, permaneceram presas à disposição da Justiça, trocando a promessa do lucro fácil pela realidade do cárcere.

