Cidade do interior paulista foi apontada como centro logístico para envio de toneladas de cocaína à Europa
Uma investigação da Polícia Federal revelou que Fernandópolis desempenhou papel estratégico em uma sofisticada rota internacional do tráfico de drogas que ligava o Primeiro Comando da Capital (PCC) à organização criminosa italiana conhecida como ‘Ndrangheta, considerada uma das mais poderosas máfias do mundo.
Segundo as apurações, a cidade do noroeste paulista funcionava como um importante ponto de concentração e distribuição de cocaína antes do entorpecente seguir para portos brasileiros com destino ao continente europeu.
As informações vieram à tona durante a Operação Narco Sky, que desarticulou uma organização criminosa responsável por movimentar grandes carregamentos de droga entre o Brasil e a Europa. De acordo com a Polícia Federal, aeronaves eram utilizadas para transportar a cocaína das regiões produtoras até Fernandópolis. A partir da cidade, a droga seguia para centros logísticos próximos ao litoral, onde era preparada para embarque em navios cargueiros.
As investigações apontaram que a quadrilha utilizava uma complexa estrutura internacional, envolvendo integrantes do PCC e membros da máfia italiana. O esquema foi identificado após a quebra do sistema de comunicação criptografada Sky ECC, aplicativo amplamente utilizado por organizações criminosas em diversos países.
Com apoio de autoridades francesas, a Polícia Federal conseguiu acessar mensagens que revelaram detalhes da operação criminosa, incluindo negociações, transporte de cargas e contatos entre traficantes brasileiros e investidores europeus.
Segundo a investigação, o grupo teria movimentado mais de 2,3 toneladas de cocaína para a Europa em diferentes operações realizadas ao longo de 2020. A droga passava por rotas que envolviam locais como os portos de Santos (SP), Rio Grande (RS), Las Palmas (Espanha), Ancona (Itália) e até a Praia de Borssele, na Holanda.
A Justiça Federal decretou a prisão preventiva de dez investigados. Na decisão, o juiz responsável pelo caso destacou a alta capacidade operacional da organização criminosa e a complexidade da estrutura montada para o tráfico internacional.
As autoridades continuam as investigações para identificar outros envolvidos e aprofundar o mapeamento das rotas utilizadas pela organização.
Fernandópolis
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