Investigação apontou que homem planejou fraude milionária após contratar quatro apólices semanas antes do suposto crime
Um caso considerado um dos mais impressionantes já registrados no setor de seguros do Brasil voltou a repercutir após o encerramento definitivo do processo judicial. O servidor público Vanderley dos Santos Gomes, da Bahia, foi condenado após a Justiça concluir que ele amputou o próprio pé para tentar receber cerca de R$ 1,5 milhão em indenizações de seguros.
Segundo os autos do processo, em 2019 Vanderley contratou quatro seguros de vida e acidentes pessoais em um curto período de tempo. Cerca de um mês depois, procurou a polícia afirmando ter sido vítima de um assalto em uma estrada rural.
Na versão apresentada às autoridades, criminosos teriam amputado seu pé direito durante a ação.
Entretanto, a história passou a despertar suspeitas entre investigadores e seguradoras. Além da contratação recente das apólices, chamou atenção a ausência de uma motivação aparente para um crime de extrema violência sem pedido de resgate, roubo significativo ou qualquer outra vantagem para os supostos autores.
As seguradoras acionaram equipes especializadas em prevenção a fraudes e iniciaram uma investigação detalhada.
Perícias médicas realizadas durante o processo apontaram que a amputação não apresentava características compatíveis com um ataque violento. Os laudos indicaram que o procedimento teria sido realizado de forma planejada e com conhecimento técnico.
Diante das evidências, a Justiça concluiu que houve uma tentativa de aplicar o chamado “golpe do seguro”, com o objetivo de obter indenizações milionárias.
A defesa negou as acusações durante toda a tramitação do processo e pediu a absolvição do acusado, alegando insuficiência de provas. No entanto, a condenação foi mantida em todas as instâncias analisadas.
Com o trânsito em julgado da ação, Vanderley iniciou o cumprimento da pena em 2025. A punição foi convertida em 720 horas de serviços comunitários e pagamento de R$ 7.590.
O caso continua chamando atenção pela complexidade da fraude e pelo nível de planejamento apontado pelas investigações.
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