Laís morreu aos 3 anos após uma hemorragia cerebral; doação do coração e dos rins ajudou outras famílias e inspirou lei de conscientização em Araçatuba
A dor pela perda de uma filha de apenas 3 anos se transformou em um gesto de solidariedade que deu esperança a outras famílias. Após a confirmação da morte encefálica de Laís Machado Celoni, os pais, Aline Celoni e João Paulo Celoni, decidiram autorizar a doação dos órgãos da menina.
Laís morreu em 2025, na Santa Casa de Araçatuba, após sofrer uma hemorragia cerebral. A família autorizou a doação do coração e dos rins, permitindo que outros pacientes tivessem uma nova oportunidade de vida.
Mãe ouviu novamente o coração da filha
A história ganhou um capítulo ainda mais emocionante quando a família de Laís conseguiu localizar e conhecer a criança que recebeu o coração da menina.
A pequena Vitória Helena Bernardo da Silva, também de 3 anos, nasceu com uma grave cardiopatia congênita, diagnosticada ainda durante a gestação.
Ela passou por cirurgias nos primeiros dias de vida e permaneceu durante dez meses na fila de transplante, até que o coração de Laís chegasse.
Durante um encontro realizado na capital paulista, Aline teve a oportunidade de se aproximar de Vitória e, com um estetoscópio, ouvir os batimentos do coração da filha novamente.
O momento emocionou as duas famílias e simbolizou a ligação criada a partir da doação de órgãos.
Para os pais de Laís, a decisão tomada em meio ao momento mais difícil da família permitiu que parte da história da filha continuasse por meio de outras vidas.
História inspira campanha pela doação de órgãos
A trajetória de Laís também teve repercussão no município de Araçatuba e contribuiu para a criação de uma legislação municipal voltada à conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos.
A norma foi sancionada durante a campanha do Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre o tema.
A legislação estabelece o dia 27 de setembro como data oficial de mobilização no município — justamente a data em que Laís comemoraria seu aniversário.
A proposta busca incentivar a população a conversar sobre a doação de órgãos ainda em vida e, principalmente, manifestar aos familiares o desejo de ser doador.
A história de Laís mostra como uma decisão tomada em meio à dor pode representar esperança para outras famílias e reforça a importância do diálogo sobre a doação de órgãos
Araçatuba
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