Homem afirma que pediu ajuda para colocar dois pacotes de milho na sacola e ouviu que deveria utilizar os caixas convencionais
Uma ida ao supermercado durante o feriado de 7 de setembro terminou em constrangimento para um cliente com deficiência que estava acompanhado da esposa, da filha e da neta em uma unidade do Supermercado Proença, em Fernandópolis.
Segundo o relato do consumidor, ele decidiu utilizar os chamados caixas livres, destinados a clientes que desejam realizar o próprio atendimento e levar poucos produtos. Antes de passar pelas compras, ele teria procurado a funcionária responsável pelo setor, recebeu orientação e conseguiu concluir o pagamento normalmente.
O problema, segundo ele, aconteceu no momento de guardar as compras.
O cliente havia adquirido apenas dois pacotes de milho e pediu ajuda para colocá-los dentro da sacola. De acordo com seu relato, a funcionária teria informado que, nos caixas livres, o próprio cliente deveria colocar os produtos na sacola.
Foi então que ele explicou sua condição e pediu auxílio.
“Moça, eu sou deficiente. Estou apenas pedindo um favor. Será que vocês poderiam me ajudar a colocar os produtos na sacolinha?”
Ainda segundo o consumidor, a resposta teria sido:
“Então o senhor não pode passar aqui nos caixas livres. O senhor tem que passar nos caixas.”
A situação, conforme o relato, ocorreu diante de uma fila com várias pessoas. O cliente afirma que se sentiu humilhado, constrangido e sem saber como reagir naquele momento.
Posteriormente, a própria funcionária teria percebido o desconforto causado pela situação e ajudado a colocar os produtos na sacola.
Cliente procurou a gerência
Após o episódio, o consumidor procurou a gerência da unidade. Ele afirma que não teve como objetivo criar conflito ou prejudicar a funcionária, mas chamar atenção para a necessidade de orientação e conscientização dos colaboradores sobre o atendimento a pessoas com deficiência.
“Todos nós merecemos respeito, dignidade e compreensão. Um simples gesto de ajuda pode fazer uma enorme diferença na vida de uma pessoa”, desabafou.
Para o cliente, o episódio serve como alerta para que situações semelhantes não se repitam.
“Faço este desabafo não por querer prejudicar ninguém, mas porque acredito que respeito e inclusão devem existir para todos.”
O outro lado
A Rede Proença Supermercados ainda não havia se manifestado publicamente sobre o caso até a publicação desta matéria.
O espaço permanece aberto para que a empresa apresente sua versão dos fatos e informe quais são as orientações oferecidas aos funcionários para atendimento de pessoas com deficiência nos caixas de autoatendimento.
Inclusão vai além da tecnologia
O caso também levanta uma discussão sobre a utilização dos caixas de autoatendimento e a necessidade de garantir que a tecnologia não se transforme em uma barreira para consumidores que precisam de auxílio.
A Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) estabelece direitos relacionados à acessibilidade, atendimento prioritário e igualdade de condições para pessoas com deficiência.
Mais do que oferecer equipamentos modernos, estabelecimentos comerciais precisam garantir que seus clientes tenham condições de utilizá-los com dignidade, respeito e segurança.
Fernandópolis
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