Um laudo pericial confirmou que a funcionária de uma clínica médica, Ana Cecília de Lima Brussi, foi envenenada com “chumbinho”, substância altamente tóxica proibida no Brasil. O caso ocorreu em janeiro deste ano, em São José do Rio Preto, e é investigado como tentativa de homicídio pela Polícia Civil.
De acordo com o boletim de ocorrência, no dia 16 de janeiro, Ana chegou ao trabalho, encheu um copo com água e o deixou sobre a mesa. Pouco depois, ao retornar e beber o líquido, sentiu um gosto amargo. No fundo do copo, notou pequenas bolinhas pretas. Com a ajuda de uma colega, encontrou no lixo da cozinha um frasco com substância semelhante.
Cerca de 40 minutos após o consumo, Ana passou a sentir fortes dores abdominais e náuseas. Foi levada à UPA Norte, onde passou por exames toxicológicos e recebeu alta no dia seguinte. Mesmo com a melhora, precisou se afastar do trabalho por 25 dias.
“Foi um livramento”
Em entrevista, Ana desabafou:
“Quando saiu o laudo, eu chorei bastante. Foi um livramento. Pensei nas minhas filhas, na minha família. Foi algo surreal.”
Ela também contou que, no dia seguinte ao caso, uma médica e outras funcionárias se afastaram da clínica, sem apresentar justificativas.
Como resposta, o proprietário da clínica instalou câmeras de segurança no local para garantir a integridade dos funcionários. Ana está em acompanhamento psicológico e demonstrou frustração:
“O que mais me machuca é essa sensação de que ninguém será responsabilizado por uma tentativa de homicídio.”
Investigação em andamento
Apesar das evidências, ninguém foi preso até o momento. O caso segue sob investigação pela Polícia Civil como tentativa de homicídio qualificado por envenenamento.
O que é o “chumbinho”?
O chamado “chumbinho” é o nome popular do aldicarbe, pesticida extremamente perigoso e proibido pela Anvisa desde 2012. Sua venda e uso são ilegais, mas ainda ocorre em casos de envenenamento clandestino. Mesmo em pequenas quantidades, o produto pode levar à morte.
Alerta em ambientes de trabalho
O caso levanta um sinal de alerta sobre crimes silenciosos dentro de ambientes profissionais, onde conflitos pessoais podem escalar para atos criminosos. A situação reforça a necessidade de vigilância interna e apuração rigorosa de incidentes graves.
A vítima, embora viva, segue com o trauma: a sensação de ter escapado por pouco de uma tragédia que poderia ter sido fatal.

