Uma falha de atendimento que poderia ter sido evitada terminou em tragédia em Buritama. A pequena Pietra dos Santos Lopes, de 6 anos, morreu em março de 2025 após ser atendida três vezes no pronto-socorro da Santa Casa com fortes dores abdominais.
Na primeira ida, Pietra foi medicada e liberada com suspeita de virose. Voltou em seguida, ainda com dores, e novamente recebeu alta. Na terceira visita, já em estado crítico — barriga inchada e lábios arroxeados —, não resistiu.
O laudo do IML apontou isquemia intestinal causada por um bloqueio arterial, quadro grave que evoluiu rapidamente. A Polícia Civil concluiu o inquérito e indiciou dois médicos por homicídio culposo, por entender que houve negligência no atendimento. Segundo a investigação, os profissionais não realizaram uma anamnese completa, não reavaliaram a menina após a medicação e deixaram de solicitar os exames de imagem necessários, mesmo com a piora evidente.
A causa exata do bloqueio arterial não foi determinada. O caso agora está nas mãos do Ministério Público, que decidirá se oferece denúncia criminal.
A Santa Casa de Buritama também é alvo de apuração. Já havia uma sindicância interna em andamento e, diante das falhas constatadas, a Justiça determinou intervenção e afastou a direção do hospital.
O episódio expõe, mais uma vez, a fragilidade do atendimento infantil e da saúde pública em cidades menores — e reforça a necessidade de protocolos mais rígidos e responsabilidade redobrada nos primeiros sinais de gravidade.

