O Ministério Público apresentou, nesta quinta-feira (18), a denúncia formal contra os acusados de envolvimento na morte de Luciana Brites Leite, uma auxiliar de limpeza de 49 anos que estava desaparecida desde setembro, em Andradina. O crime chocou a região pela proximidade entre os envolvidos: os principais suspeitos são a cunhada da vítima, Tatiane Barreto Gobbi, e o genro de Tatiane, Elias Júnior Almeida. Ambos permanecem presos preventivamente enquanto o processo avança na Justiça.
De acordo com as investigações conduzidas pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG), a motivação do crime estaria ligada a questões financeiras. Tatiane, que gerenciava as finanças da família, teria aberto empresas de fachada utilizando o nome de Luciana e, para ocultar as movimentações bancárias suspeitas, planejou a eliminação da cunhada. No dia do desaparecimento, a acusada buscou a vítima em uma unidade de saúde e, dentro do veículo, teria fornecido um medicamento sedativo para dopá-la. Após circular pela cidade esperando o efeito do remédio, Tatiane teria levado Luciana até uma área rural, onde a agrediu fatalmente na cabeça com um objeto pesado, causando traumatismo craniano.
A denúncia do Ministério Público aponta ainda que houve um esforço para despistar as autoridades e os parentes. Logo após o assassinato, Tatiane teria usado o celular de Luciana para enviar mensagens de texto a si mesma, tentando criar um álibi de que a vítima teria ido a uma loja com uma amiga. A farsa gerou desconfiança imediata na família, já que Luciana tinha o hábito de se comunicar apenas por áudios. Elias, genro da acusada, teria entrado na ação posteriormente para ajudar a esconder o corpo em uma mata, cobrindo-o com troncos de árvores, além de criar histórias falsas para confundir as buscas policiais.
O corpo de Luciana só foi localizado quase um mês depois do crime. Com base nas provas colhidas, Tatiane foi denunciada por homicídio qualificado — incluindo motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa — além de ocultação de cadáver e fraude no processo. Elias responderá pelos crimes de ocultação de cadáver e fraude processual. Com a denúncia aceita, o caso segue para as próximas fases judiciais, onde os réus deverão apresentar suas defesas.

