Uma mulher de 30 anos morreu depois de esperar por mais de 32 horas por um leito de alta complexidade na região de Araçatuba. Sabrina Severo da Silva Barbosa ficou todo esse tempo no pronto-socorro municipal à espera de transferência para a Santa Casa, único hospital habilitado pelo SUS para esse tipo de atendimento, que atende cerca de 40 municípios.
Segundo a Prefeitura de Araçatuba, Sabrina buscou atendimento na quinta-feira (20), recebeu medicação, passou por exames e teve alta no início da noite, sem sintomas aparentes de gravidade. Na sexta-feira (21), voltou ao pronto-socorro com um quadro diferente. Novos exames foram feitos, mas o PSM não tinha mais recursos para prosseguir com a investigação. Às 15h18, a equipe pediu vaga na Santa Casa pelo sistema Siresp-Cross.
A gestão municipal afirma que, durante toda a sexta e o sábado, reforçou relatórios e tentou acelerar a transferência, mas sem sucesso. Com a piora do quadro, o médico regulador autorizou a chamada “vaga zero” às 22h20 de sábado (22), determinando a transferência mesmo sem leito disponível.
Sabrina chegou à Santa Casa por volta da 1h de domingo (23). Segundo o hospital, ela já estava em estado grave, foi atendida de imediato, passou por exames e protocolos de emergência, mas teve rápida piora hemodinâmica e morreu poucas horas depois.
A Santa Casa informou que opera acima da capacidade e que a regulação depende do sistema estadual. A Cross afirmou que o cadastro da paciente foi feito na sexta-feira e que o encaminhamento ocorreu no sábado, reforçando que o sistema apenas intermedeia vagas — não cria leitos.
A morte de Sabrina volta a escancarar o problema antigo da região: a dependência de um único hospital de alta complexidade para atender uma população estimada em 1 milhão de pessoas.

