A Polícia Civil concluiu parte da investigação sobre a morte do cão comunitário conhecido como Orelha, ocorrida na Praia Brava, área nobre de Florianópolis, e indiciou três adultos suspeitos de intimidar testemunhas para tentar interferir no andamento do caso. Segundo as autoridades, os investigados são familiares de adolescentes apontados como autores do ato infracional.
De acordo com a corporação, os adultos — dois empresários e um advogado — teriam coagido um vigilante de condomínio que possuía uma imagem considerada relevante para a apuração. Por questão de segurança, o trabalhador foi afastado de suas funções. Os nomes dos indiciados não foram divulgados.
A Polícia Civil informou que analisa mais de mil horas de gravações de câmeras de segurança e que, somente no inquérito que apura a coação, 22 pessoas já foram ouvidas. A Justiça não autorizou a apreensão de aparelhos eletrônicos dos adultos investigados.
Em relação aos adolescentes suspeitos de agredir o animal e de tentarem afogar outro cão no mar, os dados permanecem sob sigilo, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Dois deles estão em Florianópolis e foram alvos de uma operação recente; os outros dois estão fora do país em viagem previamente programada.
As agressões contra Orelha teriam ocorrido no dia 4 de janeiro, mas o caso só foi comunicado às autoridades dias depois. Mesmo sem imagens diretas do momento do ataque, a soma de registros da região e depoimentos de testemunhas permitiu o avanço das investigações.

