A Polícia Civil está apurando informações recentes que indicam que Antônio Buscariollo, de 66 anos, e seu filho, Carlos Eduardo Cândido Buscariollo, teriam sido vistos em um pesque-pague no interior de São Paulo. Os dois são os principais suspeitos de planejar e executar quatro homens no distrito de Vila Rica do Ivaí, em Icaraíma (PR), em um crime que chocou a região pela brutalidade e pelo planejamento minucioso. O delegado Thiago Andrade Inácio, responsável pelo caso, confirmou nesta terça-feira (3) que a denúncia está sendo verificada com cautela, embora tenha ressaltado que a falta de um aviso imediato às autoridades no momento do suposto avistamento gera dúvidas sobre a veracidade do relato
As investigações apontam que a motivação do crime foi uma transação imobiliária que deu errado. Alencar Gonçalves de Souza Giron, uma das vítimas, havia comprado um sítio de Antônio por R$ 750 mil, mas o negócio foi desfeito após o financiamento bancário ser negado. O impasse começou quando Antônio atrasou a devolução das parcelas do valor pago na entrada. Para tentar recuperar o dinheiro, Alencar contratou cobradores de São José do Rio Preto (SP) conhecidos por atuar em situações de difícil resolução. O grupo foi visto pela última vez em agosto do ano passado, em uma panificadora, pouco antes de se dirigir à propriedade dos Buscariollo, onde foram vítimas de uma emboscada.
De acordo com laudos periciais, o ataque foi profissional e não deu chances de defesa às vítimas. Os atiradores utilizaram pelo menos cinco armas de diferentes calibres, incluindo fuzis de uso restrito, e se posicionaram em três pontos estratégicos para cercar a caminhonete onde os homens estavam. Embora o ataque tenha sido rápido e implacável, sem sinais de tortura, o desenrolar do caso revelou detalhes sinistros. A caminhonete das vítimas só foi localizada meses depois, enterrada em uma vala profunda dentro de uma estrutura subterrânea, exigindo horas de trabalho com máquinas pesadas para ser removida.
Apesar da localização do veículo e de objetos pessoais dos ocupantes, o paradeiro dos corpos de Alencar Giron, Diego Henrique Affonso, Rafael Marascalchi e Robishley de Oliveira permanece um mistério. A ausência dos restos mortais impede que as famílias realizem o sepultamento e prolonga o luto de parentes e amigos. A polícia segue com as buscas pelos foragidos e espera que a análise de dados e o rastreamento de possíveis esconderijos possam levar à captura de pai e filho, esclarecendo definitivamente um dos episódios mais violentos da crônica policial paranaense.

