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Procuradora diz que paciente que morreu de Covid-19 esperando ambulância ia morrer com ou sem transporte, e juíza rebate

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Uma procuradora da Prefeitura de Anápolis, no centro de Goiás, disse que um paciente que morreu de Covid-19 em 2021 esperando por uma ambulância ia morrer com ou sem transporte para uma vaga de UTI. A fala de Luciana Muniz aconteceu durante uma sessão on-line e causou reação na juíza que conduzia a audiência. O vídeo foi divulgado pela TV Anhanguera e mostra momento em que a advogada que representa o município fala à juíza .

“Tem que se levar em consideração que a doença do paciente era grave, ele estava com Covid-19 no meio da pandemia, no olho do furacão, e que de qualquer maneira, provavelmente, ele ia vir a óbito, com ou sem o transporte, com ou sem o UTI”, declarou.

Em nota, a Procuradoria-Geral do município de Anápolis disse que a fala da advogada buscou demonstrar o grave estado de saúde do paciente e as dificuldades enfrentadas no período de pandemia. O texto diz ainda que não houve intenção de desrespeitar os envolvidos (veja a nota na íntegra no final da matéria).

A juíza de 2º grau Stefane Machado reagiu à fala da procuradora. “Achei incrível a advogada do município de Anápolis falar que de qualquer forma ele ia morrer, de qualquer jeito ia morrer, não sei de onde tirou essa informação aí”, disse a magistrada.

Processo

A advogada representa a Prefeitura de Anápolis em processo que condenou o município a pagar indenização de R$ 200 mil à família do paciente. Ele morreu em 2021, vítima de Covid-19, enquanto esperava uma ambulância para ser transferido de hospital.

“Existe uma regra clara de regulação que o SAMU de Anápolis não tem essa obrigação de fornecer esse transporte, apenas faz a regulação de toda a região do Pirineus”, justificou a procuradora sobre o caso.

    Depois, ela continua a falar sobre o quadro do paciente que aguardava a ambulância.

    O paciente em questão teve um quadro de Covid-19 durante a pandemia e precisou ser hospitalizado. Na época a junta médica entendeu que ele precisava ser transferido do hospital de Coalzinho de Goiás para uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Com isso o paciente precisou aguardar por uma ambulância.

    Segundo familiares da vítima, o transporte foi negado pelo município de Anápolis com a justificativa de que a ambulância estaria sem combustível. Em julho deste ano a juíza Katherine Teixeira Ruellas entendeu que houve danos morais e decidiu que o município de Anápolis deverá pagar R$ 200 mil à família do paciente morto em 2021.

    Nota prefeitura de Anápolis

    “A Procuradoria-Geral do Município esclarece que a fala proferida durante o julgamento do recurso sobre o caso do paciente que faleceu com covid em 2021, durante a pandemia, foi retirada de contexto e não houve intenção de desrespeitar os envolvidos.

    A sustentação buscou demonstrar que, diante da gravidade do estado de saúde do paciente e das dificuldades enfrentadas naquele período, com todo o sistema de saúde sobrecarregado e uma alta demanda por atendimentos.

    O paciente seria transferido de Cocalzinho para Uruaçu, e o Samu de Anápolis foi acionado para prestar apoio à ocorrência. A defesa ressaltou que Anápolis atuaria em cooperação com outros municípios que também participaram do atendimento, mas que não foram incluídos no processo.”

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