A Paróquia de Populina vive um dos momentos mais tensos dos últimos anos. Um grupo de fiéis encaminhou à Diocese de Jales um pedido formal de transferência do Padre Maurício da Silva, apontando infrações administrativas, canônicas, ministeriais e sacerdotais que, segundo eles, estariam desestruturando a vida comunitária.
O requerimento, assinado por paroquianos que preferiram o anonimato por medo de retaliações, relata o esvaziamento das celebrações e o clima de desmotivação que tomou conta da comunidade. Conforme o documento, famílias que antes participavam ativamente das missas agora assistem à programação religiosa pela televisão ou migraram para outras denominações.
GESTÃO QUESTIONADA
O primeiro ponto levantado pelos fiéis trata da administração da paróquia. Eles afirmam que as finanças são conduzidas sem transparência, concentradas nas mãos do padre e de seu secretário, sem participação das comissões responsáveis. Também denunciam cobrança de aluguel e impedimentos para o uso de espaços construídos pela própria comunidade, além da queda na qualidade das festas tradicionais, que perderam força e organização.
ABUSO DE PODER E DESRESPEITO
No campo canônico, os paroquianos relatam condutas de abuso de autoridade. Segundo o documento, o sacerdote teria chamado os fiéis de “povo sem cultura” e usado a fé como instrumento de pressão. Para os autores do texto, a postura do padre fere o espírito de comunhão defendido pelo Concílio Vaticano II, afastando os leigos das atividades da Igreja.
HOMILIAS TRANSFORMADAS EM ATAQUES
As reclamações também atingem o exercício ministerial. Fiéis afirmam que as homilias passaram a ser marcadas por discursos políticos, ataques pessoais e expressões agressivas, como a frase “praga de padre pega”. Há ainda o relato de que o sacerdote teria desejado doença a quem discorda de sua forma de condução. O documento também cita cobrança para atendimento espiritual, atitude considerada incompatível com o ministério.
CASOS DE CONSTRANGIMENTO DURANTE AS MISSAS
Os episódios mais graves aparecem no âmbito sacerdotal. Em um dos relatos, o padre teria repetido o nome de um jovem várias vezes durante a missa, gerando constrangimento. Em outro caso, recusou-se a apertar a mão de uma jovem com deficiência, que, abalada, deixou de frequentar a igreja.
RELATOS QUE REFORÇAM O PEDIDO
O abaixo-assinado é acompanhado de dezesseis testemunhos. Entre eles, um fiel que afirma ter sido cobrado por atendimento espiritual mesmo estando em sofrimento; a descrição de uma missa interrompida após discussões com fiéis; frases de ameaça proferidas durante sermões; e até uma discussão pública sobre entulho em que o padre teria afirmado que “a praça era dele”.
Outro ponto citado é que, após os fiéis buscarem orientação na Diocese, alguns deles teriam sido expostos publicamente pelo sacerdote durante celebrações, o que aumentou o clima de tensão.
PEDIDO DE MUDANÇA
O documento encaminhado à Diocese de Jales termina com um apelo para a transferência do padre, afirmando que a missão pastoral foi prejudicada por práticas que “afastam, humilham e ferem a fé”. Segundo os signatários, apenas uma mudança no comando pode restaurar a vida comunitária da paróquia.
Até o momento, a Diocese de Jales não se manifestou oficialmente sobre o caso.

