Investigação descartou acidente em pula-pula; mãe e padrasto foram indiciados por homicídio qualificado e maus-tratos
Após quase três anos de investigação, a Polícia Civil concluiu que a morte do menino Nicolas Souza Prado, de 6 anos, em Votuporanga (SP), foi provocada por sucessivas agressões sofridas dentro de casa. O inquérito, finalizado pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) e encaminhado ao Ministério Público, descarta a versão apresentada inicialmente de que a criança teria se machucado em um brinquedo inflável durante uma festa de aniversário.
Segundo a investigação, Nicolas participou de uma festa no dia 9 de outubro de 2023. Após o evento, foi levado pela mãe a um hospital particular com uma lesão no braço e recebeu alta médica. Nos dias seguintes, retornou à unidade de saúde com dores intensas e febre.
Exames mais detalhados revelaram um quadro grave: quatro costelas fraturadas, outras duas trincadas e fratura no esterno. As lesões provocaram a perfuração de um dos pulmões, causando acúmulo de líquido na cavidade torácica.
A criança passou por uma cirurgia para drenagem, mas sofreu paradas cardiorrespiratórias e morreu no dia 14 de outubro de 2023.
Os laudos periciais apontaram ainda traumatismos no tórax e no braço esquerdo, além de hematomas e cicatrizes em diferentes estágios de cicatrização, indicando episódios repetidos de violência ao longo do tempo.
Após ouvir testemunhas, vizinhos e realizar diversas análises técnicas, a Polícia Civil concluiu que os ferimentos fatais foram causados por agressões contínuas no ambiente familiar.
Com o encerramento do inquérito, a mãe e o padrasto de Nicolas foram indiciados por homicídio qualificado e maus-tratos. Ambos respondem ao processo em liberdade.
O caso será analisado pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, que decidirá se oferecerá denúncia à Justiça para que os investigados sejam submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri.
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