Exclusivo: reclamações se concentram nos últimos meses e incluem alimentos com excesso de óleo, redução das porções, falta de repetição e relatos sobre alimentos que apresentariam sinais de deterioração
Ouroeste – O NotíciasNoroeste teve acesso, com exclusividade, a áudios e relatos de três funcionárias e de mães de alunos da rede municipal de ensino de Ouroeste que denunciam possíveis problemas relacionados à qualidade, quantidade e distribuição da merenda escolar oferecida aos estudantes.
Segundo os relatos, as reclamações são referentes aos últimos meses. Funcionárias e mães afirmam que, nos anos anteriores, a alimentação oferecida pela rede municipal era alvo de elogios pela qualidade e quantidade das refeições.
Entre os problemas apontados atualmente estão relatos de carne moída e outros alimentos preparados com excesso de óleo, além de supostos alimentos com sinais de deterioração e redução na quantidade das porções.
As servidoras e mães que procuraram a reportagem tiveram suas identidades preservadas por temerem possíveis retaliações.
Carne moída e outros alimentos estariam com excesso de óleo
Entre as reclamações apresentadas à reportagem está a quantidade de óleo utilizada no preparo de alguns alimentos.
Segundo os relatos, a carne moída e outros alimentos estariam chegando às escolas com grande quantidade de óleo, situação que estaria desagradando funcionários e estudantes.
Uma das funcionárias teria registrado, por meio de fotografias, a quantidade de óleo presente sobre o molho da carne. De acordo com o relato encaminhado ao NotíciasNoroeste, a servidora teria sido orientada a apagar as fotos na frente da diretora da escola.
O episódio é relatado pelas funcionárias como parte das situações que estariam gerando preocupação entre os servidores.
A reportagem não teve acesso às fotografias mencionadas e, portanto, não é possível verificar de forma independente o conteúdo das imagens ou as circunstâncias em que elas teriam sido apagadas.
Beterraba teria sido servida às crianças
Em um dos relatos recebidos pela reportagem, uma funcionária afirma que a beterraba servida na escola estaria estragada. Segundo ela, o problema teria sido percebido depois que professores também consumiram a refeição.
“A beterraba veio estragada (…) a beterraba tava estragada.”
Ainda conforme o relato, apesar da preocupação, não teria sido registrado, naquele momento, nenhum caso grave entre as crianças.
Em outro áudio, uma segunda funcionária demonstra preocupação com o consumo do alimento por uma aluna.
“Eu fiquei preocupada depois que informou (…) a beterraba, ela comeu duas vezes.”
Os relatos foram encaminhados à reportagem na íntegra e fazem parte do material que poderá ser apresentado aos órgãos responsáveis pela fiscalização.
Funcionária relata mal-estar após consumir carne moída
Uma terceira servidora também apresentou um relato relacionado à alimentação fornecida na unidade onde trabalha.
Segundo ela, teria passado mal após consumir carne moída servida na escola e, desde então, deixou de consumir a merenda.
“Eu comi carne moída e passei mal. Nunca mais!”
A declaração, por si só, não comprova que o mal-estar tenha sido causado pelo alimento, sendo necessária investigação técnica para determinar a origem do problema.
Mães relatam redução na quantidade das refeições
Além das denúncias relacionadas à qualidade dos alimentos, mães de alunos também procuraram a reportagem para relatar uma suposta redução na quantidade das refeições oferecidas nas escolas.
Segundo os relatos, alimentos que anteriormente eram fornecidos em marmitex com quantidade considerada suficiente e qualidade satisfatória estariam sendo entregues atualmente em menor quantidade.
As mães afirmam que algumas crianças passaram a deixar de comer na escola e chegam em casa reclamando da comida ou dizendo que estão com fome.
Entre os relatos recebidos estão reclamações de que pedaços de bolo, esfihas e pães de queijo estariam sendo entregues de forma contada, sem possibilidade de repetição.
Segundo as mães, as crianças chegam em casa reclamando que “estão passando vontade”, principalmente quando gostariam de repetir determinados alimentos e não conseguem.
Famílias de crianças com seletividade alimentar também reclamam
A situação, segundo as famílias, seria ainda mais preocupante no caso de crianças com necessidades alimentares específicas ou seletividade alimentar.
Pais e responsáveis relatam que algumas dessas crianças já possuem maior dificuldade para aceitar determinados alimentos e que, quando a opção oferecida não é adequada às suas necessidades ou quando a quantidade é insuficiente, elas acabam não se alimentando durante o período escolar.
As famílias defendem que crianças com seletividade alimentar ou outras necessidades alimentares específicas tenham acesso a alimentação escolar adequada, de qualidade e em quantidade suficiente, observando as necessidades individuais e as normas aplicáveis à alimentação escolar.
A reportagem ressalta que a seletividade alimentar, por si só, não significa que a escola tenha obrigação de oferecer qualquer alimento escolhido pela criança. Entretanto, eventuais necessidades alimentares específicas devem ser avaliadas e tratadas conforme as regras da alimentação escolar e, quando aplicável, orientação profissional.
Reclamações seriam recentes, segundo mães e funcionárias
Um dos pontos que chama a atenção nos relatos é que as reclamações apresentadas à reportagem seriam concentradas nos últimos meses.
Segundo mães e funcionárias, nos anos anteriores a percepção sobre a merenda escolar era diferente, com relatos de que a qualidade e a quantidade dos alimentos eram frequentemente elogiadas pelas famílias.
As denunciantes afirmam que a mudança teria provocado questionamentos entre os pais, principalmente diante dos relatos de redução das porções, falta de repetição, excesso de óleo e problemas relacionados a alguns alimentos.
Reportagem não teve acesso a laudos ou amostras
Até o momento, o NotíciasNoroeste não teve acesso a amostras dos alimentos, lotes, notas fiscais, registros de armazenamento ou laudos que comprovem eventual contaminação, deterioração ou inadequação dos alimentos.
Também não foi possível verificar de forma independente as fotografias mencionadas pela funcionária que teria registrado o excesso de óleo sobre o molho da carne.
Dessa forma, os fatos são apresentados como denúncias feitas pelas servidoras e pelas mães e ainda precisam ser apurados pelos órgãos competentes.
A reportagem não afirma que todas as unidades da rede municipal apresentem problemas ou que os alimentos mencionados tenham causado doenças nas crianças.
Caso deverá ser encaminhado para apuração
Diante da gravidade dos relatos, o material recebido deverá ser encaminhado aos órgãos responsáveis pela fiscalização da alimentação escolar, incluindo o Conselho de Alimentação Escolar (CAE) e a Vigilância Sanitária, para que sejam verificadas as condições de compra, armazenamento, preparo e distribuição dos alimentos.
A apuração técnica poderá esclarecer se houve irregularidades e, eventualmente, identificar em qual etapa teria ocorrido algum problema.
Também é importante verificar as reclamações relacionadas à quantidade das porções, à distribuição dos alimentos, ao uso de óleo no preparo e ao atendimento de estudantes com necessidades alimentares específicas.
Prefeitura terá espaço para manifestação
O NotíciasNoroeste deixa aberto o espaço para que a Prefeitura de Ouroeste e a Secretaria Municipal de Educação apresentem esclarecimentos sobre as denúncias.
Entre os questionamentos estão informações sobre controle de validade, armazenamento dos alimentos, fiscalização da merenda, quantidade das porções, critérios para distribuição e repetição dos alimentos, quantidade de óleo utilizada no preparo e procedimentos adotados para atender estudantes com necessidades alimentares específicas.
Caso haja manifestação oficial, ela será publicada.
A reportagem preserva a identidade das funcionárias e mães que procuraram o veículo e reforça que as denúncias ainda precisam ser verificadas pelas autoridades competentes antes de qualquer conclusão sobre responsabilidades.
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