Uma mulher que buscou ajuda após sofrer violência doméstica afirma ter sido desacreditada e mal atendida tanto na Polícia Militar quanto na Polícia Civil. O que era para ser proteção virou revolta. Em vez de acolhimento, encontrou frieza, impaciência e desconfiança — justamente de quem deveria garantir segurança.
No atendimento da Polícia Militar, ouviu reclamações de que “o dia tinha sido só violência doméstica”, deixando evidente o incômodo dos agentes em lidar com ocorrências do tipo. Ao tentar relatar a agressão, uma policial chegou a dizer que sua ligação “não valia nada” e que ela teria que provar tudo ali, na frente deles. A vítima diz que foi tratada como mentirosa desde o início.
Na Polícia Civil, o cenário se repetiu. Segundo ela, o atendimento foi frio, impaciente e cheio de desconfiança. A sensação era clara: profissionais que deveriam ouvir e proteger pareciam mais inclinados a duvidar da vítima do que a entender sua dor.
Enquanto tentava se explicar, ouviu policiais conversando sobre outras ocorrências — inclusive um atropelamento do dia anterior — como se sua denúncia fosse apenas mais um incômodo na rotina. Para a vítima, ficou evidente: ninguém estava tratando sua vida com seriedade.
E o mais revoltante: tudo isso aconteceu no mesmo dia em que mulheres de todo o Brasil saíram às ruas protestando contra os feminicídios e a omissão do Estado. Um dia marcado por pedidos de proteção — exatamente o que ela não encontrou.
A vítima não está sozinha. Uma amiga que também buscou medida protetiva diz ter ouvido insinuações — tanto da PM quanto da Civil — de que “muitas mulheres pedem isso sem necessidade”. Uma fala que desrespeita, machuca e coloca vidas em risco.
Diante do despreparo enfrentado, a mulher decidiu levar o caso também à OAB, buscando apoio no projeto OAB para Elas.
OAB PARA ELAS: UM REFÚGIO EM MEIO AO DESCASO
O “OAB para Elas” é um projeto da Ordem dos Advogados do Brasil voltado ao atendimento humanizado e orientação jurídica gratuita para mulheres em situação de vulnerabilidade ou vítimas de qualquer tipo de violência.
É um espaço onde elas podem finalmente ser ouvidas — sem serem julgadas, silenciadas ou desacreditadas.
O projeto oferece:
✔ Acolhimento Humanizado
Advogadas voluntárias preparadas para ouvir com respeito, empatia e sigilo.
O atendimento pode ocorrer na sede da OAB ou até mesmo em Delegacias da Mulher.
✔ Orientação Jurídica Gratuita
Ajuda a mulher a entender os próprios direitos e os próximos passos legais.
Em muitos casos, nem é necessário BO ou agendamento.
✔ Encaminhamentos Importantes
A mulher é direcionada para serviços essenciais, como Defensoria Pública, UBSs e CREAS.
✔ Foco no Combate à Violência
O projeto qualifica profissionais para lidar com violência de gênero de forma sensível e responsável.
✔ Abrangência Ampla
Atende mulheres cis e trans que sofreram qualquer forma de violência:
física, psicológica, sexual, moral ou patrimonial.
Em resumo, o projeto oferece:
- Um lugar seguro para falar.
- Informação clara sobre direitos.
- Apoio para dar os passos necessários.
- Profissionais preparados para acolher.
O caso reacende um alerta. Em Fernandópolis e toda a região, os índices de violência doméstica têm aumentado de forma preocupante. São histórias que se repetem, denúncias que crescem e finais trágicos que se acumulam.
E quando a estrutura que deveria proteger falha, a consequência é brutal:
muitas mulheres são silenciadas para sempre — assassinadas por quem jurava amor, por quem elas tanto confiavam.
Falhas assim não são meros erros. São riscos reais. E cada atendimento negligente — seja da Polícia Militar, seja da Polícia Civil — pode ser o empurrão final para uma tragédia anunciada.




