Um suposto esquema envolvendo unidades móveis de atendimento oftalmológico está gerando preocupação em diversas cidades do noroeste paulista. De acordo com denúncias encaminhadas às autoridades, ônibus itinerantes estariam oferecendo consultas gratuitas, exames de vista e até armações sem custo, mas, segundo os relatos, os atendimentos ocorreriam sem respaldo técnico adequado e com possíveis irregularidades na comercialização de lentes e óculos.
Conforme as denúncias, os veículos permanecem por poucos dias em cada município, após obterem autorização para funcionamento, atraindo principalmente idosos e famílias por meio da promessa de exames gratuitos e óculos para crianças. Entretanto, há relatos de que os atendimentos seriam realizados sem a presença de médico oftalmologista regularmente inscrito no Conselho Regional de Medicina (CRM), impossibilitando o diagnóstico correto de doenças como glaucoma, catarata, retinopatia e outras patologias oculares que exigem avaliação especializada.
Outro ponto levantado nas denúncias diz respeito à emissão de receituários e à venda de produtos. Segundo os relatos, em alguns casos seriam utilizados documentos que não correspondem ao registro profissional médico, além da comercialização de armações de procedência duvidosa e lentes com valores considerados elevados. Consumidores afirmam que, embora as armações sejam anunciadas como gratuitas, acabam sendo obrigados a adquirir lentes com preços superiores aos praticados pelo mercado.
Especialistas alertam que o uso de lentes sem especificação técnica adequada ou prescritas sem avaliação médica pode comprometer a saúde ocular, provocar desconfortos, agravar doenças existentes e, em situações mais graves, contribuir para a perda da visão quando patologias deixam de ser diagnosticadas precocemente.
Outro problema apontado é a dificuldade para o consumidor exercer seus direitos após a compra. Como as unidades móveis permanecem pouco tempo em cada cidade, muitos clientes relatam não conseguir assistência, manutenção dos produtos ou mesmo localizar os responsáveis em caso de problemas posteriores.
Segundo as informações recebidas pela reportagem, o caso já teria sido comunicado ao Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), órgão responsável por fiscalizar o exercício da medicina, para apuração das denúncias e eventual adoção das medidas cabíveis.
Até o momento, não há manifestação pública dos responsáveis pelos atendimentos mencionados nas denúncias. O espaço permanece aberto para que eventuais envolvidos apresentem sua versão dos fatos.
Estado de SP
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