As gêmeas Heloísa e Helena, que nasceram unidas pela cabeça, passaram pela terceira etapa do processo de separação no último sábado (28), no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.
O procedimento faz parte de um planejamento cirúrgico dividido em cinco fases e é considerado um dos momentos mais delicados de todo o tratamento. A cirurgia teve duração de aproximadamente oito horas e mobilizou uma grande equipe multidisciplinar, formada por neurocirurgiões, cirurgiões plásticos, anestesistas, pediatras e outros profissionais especializados.
Etapa delicada
Nesta terceira fase, os médicos avançaram na separação das estruturas cranianas compartilhadas pelas meninas. Como elas são classificadas como craniópagas — quando os irmãos gêmeos nascem unidos pela cabeça — o procedimento exige extremo cuidado devido à proximidade de vasos sanguíneos e estruturas cerebrais.
Após a cirurgia, as gêmeas foram encaminhadas para a UTI pediátrica, onde permanecem sob observação. Segundo informações médicas, elas apresentaram quadro estável no pós-operatório imediato.
Processo gradual
O plano cirúrgico foi estruturado para acontecer em cinco etapas justamente para reduzir riscos e permitir que o organismo das crianças se adapte progressivamente às mudanças. As próximas fases devem preparar definitivamente as meninas para a separação total, prevista para ocorrer até o fim deste ano.
Entre os procedimentos ainda previstos estão a reconstrução das áreas ósseas e a utilização de expansores de pele, fundamentais para garantir proteção adequada ao cérebro após a divisão completa.
Caso raro e complexo
A separação de gêmeos craniópagos é considerada uma das cirurgias mais complexas da medicina moderna. Cada intervenção envolve planejamento minucioso, exames detalhados e uso de tecnologia avançada para garantir maior segurança.
O caso tem mobilizado equipes médicas e emocionado familiares, que acompanham cada etapa com esperança. Cada cirurgia concluída representa um passo importante rumo à independência das meninas e à possibilidade de uma vida separada e saudável.

