O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) determinou a reabertura das investigações sobre a morte do operador de máquina Raylson Moraes dos Santos, de 23 anos, ocorrida em janeiro de 2025, em uma empresa de implementos rodoviários em Cosmorama, a cerca de 68 km de São José do Rio Preto.
A decisão, tomada no dia 17 de abril de 2026, foi motivada por um novo laudo pericial que aponta falhas graves de segurança no ambiente de trabalho, mudando o rumo de um caso que havia sido arquivado anteriormente.
Raylson morreu na madrugada de 10 de janeiro de 2025, enquanto realizava a limpeza de uma máquina sopradora de areia no setor de fundição. O corpo foi encontrado apenas horas depois, no início do turno da manhã. O laudo necroscópico indicou como causa da morte asfixia mecânica.
Inicialmente, o inquérito foi arquivado em setembro de 2025 por falta de elementos que indicassem responsabilidade criminal. No entanto, com a apresentação de novos documentos técnicos e determinação judicial, o caso voltou a ser analisado.
O novo laudo, elaborado por um engenheiro de segurança do trabalho, identificou uma série de falhas, entre elas:
- Ausência de bloqueio da energia pneumática
- Falta de travamento mecânico da porta da máquina
- Deficiências nos sistemas de proteção
- Procedimentos de limpeza considerados inseguros
Segundo o promotor Murilo Carvalho Festoso, o novo material altera significativamente o entendimento anterior do caso.
O MP também destacou que, mesmo que haja eventual falha por parte da vítima, isso não exclui a responsabilidade da empresa em garantir condições seguras de trabalho.
A nova análise questiona a hipótese inicial de culpa exclusiva do trabalhador, apontando que o próprio sistema e a rotina operacional poderiam induzir qualquer operador ao mesmo procedimento.
Com a reabertura, o Ministério Público solicitou novas diligências, incluindo depoimentos de responsáveis pela segurança da empresa, análise de documentos internos e esclarecimentos sobre possíveis alterações na máquina.
O caso retorna agora à fase investigativa e será reavaliado após a conclusão das novas apurações.

