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Feminicídio de Heddy Lamar e morte do filho autista são esclarecidos pela Polícia Civil em MG

Por Notícias Noroeste Publicado em 23/12/2025 14:41 Atualizado em 23/12/2025 14:41 3 visualizações (1 hoje)
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A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu, nesta segunda-feira (22), as investigações sobre o feminicídio de Heddy Lamar de Araújo, de 44 anos, e a morte do filho dela, Bernardo Lucas de Araújo Ribeiro, de 13 anos, adolescente autista em nível severo de suporte. Os crimes ocorreram em setembro de 2024 e estão diretamente ligados, segundo a apuração policial.

Na madrugada de 25 de setembro de 2024, por volta das 2h15, Heddy saiu do apartamento onde morava com o filho, no bairro Jardim Guanabara, região Norte de Belo Horizonte. Imagens de câmeras de segurança mostram a mulher deixando o imóvel após trancar o adolescente sozinho em um quarto, informando que retornaria em breve.

Ela solicitou uma corrida por aplicativo e desembarcou em frente ao Hospital Risoleta Neves, por volta das 2h30. No local, foi encontrada por Bruno Alexandre Ferreira, de 37 anos, entregador e motorista de aplicativo, com quem mantinha um relacionamento amoroso havia cerca de dois anos. O suspeito também estava em uma motocicleta.

Segundo a investigação, a partir desse ponto, o casal seguiu para uma área descampada no bairro Nova York, em Vespasiano, local conhecido como mirante e ponto frequentado durante a noite.

Ainda de acordo com a Polícia Civil, o crime foi premeditado. O corpo de Heddy Lamar foi encontrado no mesmo dia, 25 de setembro, por um casal de idosos que subia o Monte das Orações, em Vespasiano. A vítima não portava documentos e apresentava marcas de violência na cabeça, na nuca, f3rim3nt0s nas mãos e p3rfur4ções causadas por objeto cortant3.

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que a causa da morte foi asfixia. A identificação oficial do corpo só ocorreu oito dias depois.

Durante o período em que o corpo da mãe permanecia sem identificação, o pai biológico de Bernardo estranhou a falta de contato da ex-companheira. Ele era presente na rotina do filho e sabia que o adolescente, autista e não verbal, dependia integralmente dos cuidados maternos.

Após três dias consecutivos de ausência do menino na escola, a direção da instituição entrou em contato com o pai. Ele chegou a ir até o prédio onde o filho morava e relatou ter visto luz acesa no apartamento, sem imaginar o que havia ocorrido.

No mesmo dia em que Heddy foi oficialmente identificada, o pai registrou o desaparecimento do adolescente. Em 3 de outubro, policiais foram até o apartamento da família, arrombar4m a porta de entrada e, em seguida, um quarto que estava trancado. No local, encontraram Bernardo já sem vida.

Segundo a investigação, o adolescente morr3u de fom3 e s3de, após permanecer cerca de oito dias trancado, sem qualquer possibilidade de pedir ajuda.

A Polícia Civil apurou que Heddy conheceu Bruno após solicitar uma corrida por aplicativo. O relacionamento durou cerca de dois anos e era marcado por conflitos. À época, o suspeito era casado e, após se separar, passou a responsabilizar a vítima pelo fim do casamento.

Testemunhas relataram que Heddy demonstrava medo do investigado e afirmaram que ele era a única pessoa com quem ela sairia naquela madrugada. A vítima trabalhava como auxiliar de enfermagem e, segundo a investigação, buscava apoio espiritual em centros de umbanda na tentativa de fortalecer a relação.

Bruno Alexandre Ferreira foi preso preventivamente no dia 18 de dezembro, no bairro Asteca, em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Ele permanece à disposição da Justiça.

O suspeito nega ter cometido os crimes, mas admite que conhecia a vítima. Segundo o delegado Marcos Vinícius Martins, responsável pelo caso, Bruno apresentou versões contraditórias durante os interrogatórios.

Ele foi indiciado por feminicídio qualificado, por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima, pela morte de Heddy Lamar. Em relação à morte de Bernardo, responderá por homicídio contra menor de 14 anos, com agravante de vulnerabilidade, já que o adolescente era autista e totalmente dependente.

As investigações tiveram início em 25 de setembro de 2024 e foram concluídas após a análise de imagens, laudos periciais e depoimentos de testemunhas.

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