Operação do Ministério Público investiga vazamento de informações sigilosas para integrantes da facção criminosa
Um ex-policial civil de 50 anos foi preso na manhã desta terça-feira (9), em Cardoso, durante a Operação Infiltrados, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo para combater um esquema de vazamento de informações sigilosas para integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Após ser localizado, o suspeito foi encaminhado à Central de Flagrantes da Delegacia de Plantão de Votuporanga.
Segundo as investigações, o homem já havia sido expulso da Polícia Civil em Campinas por envolvimento em um caso de extorsão mediante sequestro.
A operação cumpriu três mandados de prisão temporária e dez mandados de busca e apreensão nas cidades de Cardoso e Campinas. Além do ex-policial preso em Cardoso, também foram detidos um ex-estagiário do Ministério Público e um chefe de investigadores da Polícia Civil.
De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), os investigados atuavam infiltrados para beneficiar integrantes do PCC.
O grupo é suspeito de participar de um plano para assassinar um promotor de Justiça e de usar informações privilegiadas para extorquir pessoas que estavam sendo investigadas.
As apurações apontam que o ex-estagiário acessava sistemas internos do Ministério Público para consultar dados sigilosos. Essas informações seriam repassadas mediante pagamento de propina, com a promessa de favorecer investigados ou alertá-los sobre ações das autoridades.
O esquema também contaria com a participação de um policial penal e do ex-policial preso em Cardoso. Já o chefe de investigadores é suspeito de receber dinheiro para informar um traficante sobre operações policiais em andamento.
A Operação Infiltrados é resultado de desdobramentos das operações Pronta Resposta e Off White, iniciadas no ano passado para investigar lavagem de dinheiro e ameaças promovidas pelo PCC contra autoridades públicas.
Os mandados foram acompanhados por corregedorias das Polícias Civil e Penal, equipes do Batalhão de Ações Especiais da Polícia Militar (Baep) e representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que acompanharam diligências realizadas em um escritório de advocacia.
O Ministério Público informou que celulares, documentos e outros materiais apreendidos passarão por análise.
As investigações prosseguem para identificar possíveis novos envolvidos e aprofundar a apuração sobre a infiltração de agentes públicos em favor da organização criminosa.
Cardoso
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