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Artista de Fernandópolis transforma restos de madeira em troféus exclusivos para o concurso Filhos da Terra

Por Notícias Noroeste Publicado em 20/10/2026 15:48 Atualizado em 20/10/2026 15:48 11 leituras 3 min de leitura
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Wagner Aparecido Lopes esculpiu 45 corujas em madeira reciclada e legalizada. Trabalho resgata uma tradição familiar e valoriza a cultura e o talento regional.

Uma tradição familiar que atravessa gerações vai ganhar destaque no tradicional Concurso Filhos da Terra, em Fernandópolis. O artista plástico Wagner Aparecido Lopes, de 43 anos, dedicou dois meses à confecção de 45 troféus que serão entregues aos participantes do evento nos dias 29 e 30.

As peças, produzidas artesanalmente com madeiras legalizadas, como Cambará Rosa, Cambará e Cedro reciclado, têm formato de coruja, símbolo associado à sabedoria e ao conhecimento.

Cada troféu é único. Durante o processo de criação, Wagner esculpiu diferentes modelos, descartou exemplares e aperfeiçoou os detalhes até chegar ao resultado desejado. Para ele, a arte não combina com a repetição mecânica.

“Nunca uma fica igual à outra; cada exemplar é único”, explica o artista.

Talento que nasceu na infância

A relação de Wagner com a madeira começou muito cedo, ainda na infância, em um sítio em Santa Albertina. Foi ali que ele acompanhou o trabalho do pai, conhecido como Seu Aparecido ou Tim, que sustentava a família produzindo esculturas inspiradas na vida rural.

Boiadas, canaviais, engenhos e pássaros ganhavam forma pelas mãos do pai, que comercializava suas obras em cidades do eixo Campinas–São Paulo.

Desde os três anos, Wagner guarda na memória o cheiro da madeira cortada e os movimentos precisos usados pelo pai para transformar blocos de madeira em peças artísticas.

Acompanhando esse trabalho, começou a reproduzir os gestos que observava, experimentando o formão, a pintura e diferentes formas de expressão. Ao longo da vida, também se aventurou pelo teatro, pela literatura, pela poesia e pelas artes visuais.

Embora tenha chegado a viver da arte por um período, Wagner ingressou posteriormente no serviço público municipal. Hoje, mantém a escultura como uma atividade ligada à paixão e à liberdade criativa.

Uma herança que atravessa gerações

A trajetória do artista mostra como o conhecimento transmitido dentro de casa pode se transformar em uma identidade cultural.

Quando o artesanato deixou de garantir o sustento da família, Seu Tim passou a trabalhar com marcenaria tradicional, fabricando camas, mesas e armários. Mas a influência artística já havia marcado profundamente o filho.

Agora, Wagner mantém viva essa herança ao transformar sobras de madeira em peças que carregam histórias, lembranças e referências da cultura regional.

Filhos da Terra tem significado especial

A participação no Concurso Filhos da Terra tem um significado afetivo para Wagner. O artista já esteve presente em edições anteriores, inclusive com contos e poesias, e considera o evento um importante incentivo para quem deseja desenvolver a criatividade.

Esta também não é a primeira vez que ele produz os troféus da premiação. Em uma edição anterior, uma lembrança ficou especialmente marcada: durante um churrasco, a filha do anfitrião fez questão de buscar a coruja que havia conquistado ao vencer o concurso.

Para Wagner, aquele gesto demonstrou que o valor de uma obra vai muito além da madeira utilizada ou do tempo dedicado à produção. A arte também cria vínculos, desperta emoções e ocupa um lugar especial na memória das pessoas.

Arte feita sem pressa

Mesmo com a experiência acumulada, Wagner não pretende transformar sua paixão em uma produção comercial em larga escala. Ele conta que aceita encomendas quando sente vontade de criar e quando a inspiração fala mais alto.

As 45 corujas preparadas para esta edição do Filhos da Terra representam, assim, mais do que uma premiação. São peças artesanais que valorizam a criatividade local, a história de uma família e a força da cultura produzida em Fernandópolis.

Nos dias 29 e 30, os troféus chegarão às mãos dos participantes levando consigo uma história que começou muito antes de serem esculpidos: a história de um filho que aprendeu com o pai e transformou essa herança em arte.

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