Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS” cancelou o depoimento que daria à CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS. Com isso, a reunião da hoje da comissão foi cancelada.
O que aconteceu
O “Careca do INSS” cancelou o depoimento que daria hoje à CPMI do INSS. A defesa do investigado Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, comunicou hoje de manhã que ele não compareceria à comissão.
Antunes não está obrigado a prestar depoimento. Segundo decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), ele não precisa se manifestar na CPMI.
A defesa do investigado havia confirmado a participação ontem. O depoimento estava marcado para às 16h de hoje e a defesa havia dito que ele falaria e responderia todas as perguntas. Essa já havia sido uma mudança de postura, uma vez que em um primeiro momento a defesa informou que ele não participaria.
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), lamentou. Em nota, ele afirmou que a ausência “é lamentável”. “Perdemos a oportunidade de ouvir hoje um dos principais investigados no escândalo (…), mas a comissão seguirá trabalhando para que a verdade venha à tona”, diz o comunicado.
A expectativa dos deputados e senadores era extrair de Antunes mais nomes. Havia uma avaliação de que ele poderia fornecer mais informações relevantes do que outras pessoas que já foram ouvidas.
Antunes é apontado pela Polícia Federal como um dos operadores do esquema de desvios de aposentadorias e pensões. De acordo com a investigação, a fraude teria gerado prejuízo de até R$ 6,3 bilhões para aposentados e pensionistas. A PF diz que ele recebeu R$ 53,58 milhões de entidades associativas e de intermediárias.
O pagamento teria ocorrido por meio de empresas de Antunes. Ainda segundo a PF, ele teria repassado R$ 9,32 milhões a servidores e companhias ligadas à cúpula do INSS.
Advogado de Antunes, Cleber Lopes negou. À Folha, ele disse que a narrativa de que ele era o operador “é uma bizarrice”. Ele também afirmou que “as associações captavam os associados, se tinha fraude ele não tinha como saber”

