O Dezembro Vermelho, mês dedicado à conscientização sobre HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis, reacende um alerta grave: quase 40 mil brasileiros receberam diagnóstico de HIV, mas não iniciaram o tratamento. Os dados são do Painel Integrado de Monitoramento do Cuidado do HIV e da Aids, do Ministério da Saúde.
Entre 2014 e 2025, o número de pessoas registradas nas redes de cuidado saltou de 624.112 para 1.061.707. Mesmo assim, 39,2 mil pacientes diagnosticados simplesmente não deram início à terapia. Um risco que não afeta só o doente, mas mantém ativa a cadeia de transmissão.
A maioria dos acompanhados está na faixa dos 40 a 59 anos, seguida pelos grupos entre 25 e 39 anos. Adolescentes e jovens representam os índices mais baixos, mas continuam expostos.
A infectologista da Santa Casa de Chavantes, Dra. Camila Real Pelloso, é direta: identificar e tratar cedo faz toda a diferença. Segundo ela, o HIV está presente em diversas idades, e ignorar isso é um erro. “Quando a infecção é descoberta no começo, o tratamento funciona melhor e a qualidade de vida é maior”, afirma.
A transmissão continua acontecendo principalmente por relações sem preservativo e pelo compartilhamento de objetos perfurocortantes. A especialista reforça que a informação correta evita surpresas: basta saber como o vírus se espalha para adotar medidas simples, como camisinha e testes periódicos.
O SUS também oferece PrEP (medicação diária que evita a infecção antes da exposição) e PEP (medicação usada até 72 horas após uma situação de risco). Ambas diminuem drasticamente as chances de contaminação quando usadas junto com prevenção e diagnóstico precoce.
Os primeiros sinais do HIV podem parecer uma simples gripe: febre, mal-estar, dores no corpo. Por isso, muita gente só descobre o vírus em exames de rotina. O teste é rápido, sigiloso e disponível nas unidades de saúde.
O tratamento gratuito evoluiu. Hoje, os antirretrovirais deixam a carga viral indetectável — e, assim, incapaz de ser transmitida. Mesmo assim, muitos abandonam o acompanhamento por medo, rotina difícil ou desinformação. Para a infectologista, manter o tratamento é o que impede novos casos.
A Santa Casa de Chavantes reforça o atendimento humanizado, com apoio desde o primeiro contato e uma equipe multiprofissional preparada para acolher quem chega. A instituição, com mais de 100 anos de história, é referência regional, reconhecida por certificações nacionais e internacionais de qualidade em saúde.
Neste Dezembro Vermelho, o recado é simples e direto: prevenção, teste e tratamento salvam vidas. Informação não falta — o que falta é atitude.
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